Marcadores

sábado, 18 de abril de 2015

O Palmeiras (e o mundo) que queremos.

O Palmeiras (e o mundo) que queremos.

https://adcastellari.wordpress.com/2012/01/28/sobre-a-homofobia-3/
 Por Luiz Fernando Moncau
Na última semana, através de uma série de textos de colaboradores convidados, o blog VaiParmera insurgiu-se contra a homofobia no futebol, no Palmeiras, em toda nossa sociedade. Quatro excelentes textos (de Marcelo Marchesini, Rodrigo Savazoni, Leandro Beguoci e Tiago Soares) ocuparam este espaço para chamar a atenção para os caminhos que estamos trilhando, de certa forma indagando: para onde queremos seguir?
E algumas respostas vieram à tona. Os textos de Leandro Beguoci e Tiago Soares demonstram que, como palmeirenses, adotar a homofobia como lema significa abrir mão de alguns valores fundantes da nossa sociedade. Significa dedicarmo-nos às picuinhas e ao ódio ao invés de abrigarmos aqueles que podem e querem doar seu esforço em nome da nossa causa: um Palmeiras grande!
Os textos de Rodrigo Savazoni e Marcelo Marchesini, por outro lado, apontaram para o falta de democracia em nosso clube e na nossa sociedade, mostrando a indignação contra a atitude daqueles que, ao estender a faixa “a homofobia veste verde”, fizeram do futebol e do Palmeiras protagonistas de um deprimente teatro de exclusão e discriminação.
Nós não aceitamos! A história do futebol brasileiro, que foi palco de tantos preconceitos e que continua batalhando para superar a discriminação racial para constituir-se como potência que extrai parte de sua força justamente da inclusão de negros e mulatos (ver José Miguel Wisnik – “Veneno Remédio: o futebol e o Brasil” e Mário Filho: “O negro no futebol brasileiro”), também não deve aceitá-lo.
O Palmeiras não é um clube racista, e nossa torcida, direção e jogadores não deveriam sê-lo. Por isso, como torcedorea, não podemos calar diante da odiosa faixa homofóbica. Porque se no fundo dos nossos corações existem múltiplos preconceitos (e existem diferentes preconceitos em cada um dos corações), é preciso ter sabedoria para encará-los e suoerá-los. Porque a história do nosso clube, não merece essa nódoa.
Ao acompanhar os comentários feitos neste e outros blogs que também se insurgiram contra a infeliz manifestação, entretanto, restou claro que o assunto ainda precisa ser muito discutido. E é bom que seja.
Nesse sentido, a faixa homofóbica, apesar de odiosa, cumpriu um importante papel: colocou o tema da homofobia em debate, ao invés de jogá-lo para debaixo do tapete. Trouxe para dentro da mídia palestrina, ecoando no twitter e nas redes sociais, uma discussão sobre o preconceito no futebol e na sociedade. Cada palmeirense, diante da iminente contratação de Richarlyson e diante da lamentável manifestação de alguns torcedores, foi obrigado a olhar para dentro de si e se perguntar: será que preconceituoso? Eu aceitaria um gay no meu time? E diante de toda a discussão, agora pode também se perguntar: qual a conduta que espero do meu clube numa situação como essa? Eu, que faço parte da comunidade que determina o rumo da Sociedade Esportiva Palmeiras (sócios, torcedores, conselheiros), quero torcer por um clube que aceita a discriminação e o preconceito?
Nós não queremos! Queremos construir um clube progressista. E por isso levantamos e levantaremos sempre nossa voz. Queremos um Palmeiras forte e que esteja olhando para o futuro. Não um Palmeiras expressão do atraso. Queremos contribuir, através do futebol, para um mundo mais justo, humano e sem preconceitos fúteis e tolos, fruto do nosso próprio medo e covardia. Na minha opinião, nossa direção devia fazer desse episódio um aprendizado. Devia gritar para todo mundo ouvir, que o Palmeiras possui uma política de não-discriminação. Que aqui é Palmeiras e este tipo de abuso não tem lugar. Que aqui é Palestra, e continuamos sendo uma força do progresso. Que nós somos pioneiros, como sempre fomos.
A torcida palestrina que compreende nossa história deve lutar por isso. Dizer não à homofobia, é só uma das atitudes os que ergueram este clube esperam de nós.

A tolerância veste verde

A Tolerância Veste Verde

https://adcastellari.wordpress.com/2012/01/20/sobre-a-homofobia-2/
Por Tiago Soares
O quarto texto da série “Contra a Homofobia no Futebol” – Por Tiago Soares
Uma das primeiras coisas que te ensinam ao ser palmeirense é que “o Palmeiras é o time dos imigrantes italianos que se afirmaram contra a adversidade”. E que é o clube que construiu tudo que tem, que nunca ganhou nada de mão beijada. Que é o time que acolhe gente vinda de muitos lugares.
É o time do imigrante, o time do estrangeiro. O time do outro. Porque o estrangeiro não é definido apenas por fronteiras riscadas em mapas e distâncias geográficas. Ele é também a diferença em jeitos de viver a vida e entender o mundo. É o sujeito que está imerso em outras culturas e costumes, que no Palmeiras encontrou, sempre, uma comunidade a abrigá-lo sem se importar com a diferença.
E o Palestra Itália que acolhia operários italianos da cidade e da lavoura foi generoso, também, aos japoneses e árabes e a toda gente dos cantos do Brasil e do mundo. Unidos em sua diferença, inventando o novo. Não à toa, “o Palmeiras é o time do pioneirismo”, te explicam também.
Mas existe uma lição que, essencial, às vezes parece pouco ensinada. Porque, ao se inventar como o espaço dos imigrantes, como ferramenta para o diálogo com a nação e a cidade que os acolhia apesar de todas as diferenças, o Palmeiras se funda, acima de tudo, como um exercício de tolerância.
O torcedor palmeirense que bate no peito para dizer que algum preconceito – qualquer um – “veste verde” joga contra sua história. Porque o preconceito é um valor absoluto, e quem o celebra age exatamente como aqueles que, no começo do século passado, o celebravam contra os imigrantes e tudo que o então Palestra Itália representava.
Há quem diga que os que agem assim são apenas zelosos pela tradição, que alguns apenas preferem que as coisas se mantenham mais próximas dos costumes de sempre.
Quem fala isso esquece que a tradição é uma referência, um conjunto de coisas guardadas de sua história que te ajudam a saber de onde você veio e para onde quer ir. Prefiro acreditar que a tradição do Palmeiras são o acolhimento, a lealdade, a coragem, os valores que emergem de tudo que fez em sua história.
Ao transformar a tradição num estilo de vida submetido a práticas e costumes fora de lugar, os torcedores que embaralham preconceito e conservadorismo se aproximam dos que, dentro do clube, confundem sua administração com falta de democracia e mesquinharias. Daqueles que, embora se enxerguem palmeirenses, parecem não ter ideia do que isso significa. Porque muitas coisas vestem verde em nossa história. E a tolerância é uma das maiores delas.

Ser homofóbico é ser antipalmeirense

[Originalmente publicado no blog vaiparmera!; republicado em https://adcastellari.wordpress.com/2012/01/18/sobre-a-homofobia/]

Por Leandro Beguoci
Times de futebol são um jeito de ver o mundo. Ninguém se apaixona por um time por causa das cores, dos títulos ou do endereço. As pessoas se apaixonam porque ele expressa valores, idiossincrasias e até manias com as quais elas se identificam. Tem time que vende a imagem de time das maiorias. Tem time que gosta de parecer diferenciado. E tem time que se tornou um gigante singular porque criou um jeito de jogar bola (a Academia), um tipo de torcedor (o corneteiro) e um novo tipo de time: o time que matou o preconceito e inaugurou o mérito.
Por isso que a manifestação de alguns torcedores durante protesto da Mancha Verde, dizendo que a homofobia veste verde, é antipalmeirense, fundamentalmente antipalmeirense. Proclamar que um palmeirense é, por definição, um preconceituoso é ir contra tudo que o Palmeiras é e representa. Colocando a seco, aqueles torcedores disseram: se Messi e Cristiano Ronaldo forem gays, eles não podem jogar no Palmeiras. Tem algo mais antipalmeirense do que isso? Eu não conheço.
O Palmeiras nasceu como um time de colônia – da colônia italiana. Mas não apenas isso. Nasceu como o time da colônia que, naquele começo do século 20, era suja de graxa, de cimento e de banha de porco. Da colônia que não tinha dente na boca, que comia com a mão e que mal falava português. Da colônia que era a ralé da ralé: no começo do século 20 só tinha algo pior do que ser negro em São Paulo, que era ser italiano. E ao ser fundado por uma colônia e se expandir além dela, o Palmeiras concentrou todos os preconceitos sobre imigrantes e pobres e explodiu com eles. À medida que o Palmeiras crescia, o preconceito se escondia, encabulado, porque deixava de fazer sentido. Todas as teorias sobre “inferiores” que não podiam “alcançar a glória” caducaram. Os exemplos são fartos.
Quando os nordestinos começaram a vir para São Paulo, o Palmeiras foi um dos primeiros times do Sudeste a excursionar pelo Nordeste e a ter um ídolo nordestino, a comemorar título sobre título com jogadores nascidos fora de São Paulo. As décadas passaram e o Palmeiras quebrou a resistência contra estrangeiros e teve técnico argentino, em uma época em que as relações Brasil-Argentina não eram nem um pouco amistosas – e com ele teve momentos que marcaram a história do futebol brasileiro. Com essa vocação para inovar e coragem para aguentar todas as piadas, gozações e sacanagens (das mais inocentes às infames) que vieram junto com estas decisões, o Palmeiras foi se firmando entre os maiores times do mundo. E, não menos importante, como um time enorme, seguro de si, que podia falar: vem, preconceito, vem que aqui você não tem lugar. Aqui, no Palmeiras, vai jogar, vai mandar quem é bom.
A atitude do Palmeiras teve uma bela consequência – e não apenas para a superlotação da nossa sala de troféus. O Palmeiras ajudou a educar o Brasil. Ano a ano, pouco a pouco, o Palmeiras ensinou milhões de torcedores, com ídolos de várias cores, idades, origens, que uma pessoa tem de ser valorizada pelo que ela faz e não pela cor da pele, pelo lugar onde nasceu ou pela língua que fala. O Palmeiras cresceu mostrando que a excelência se conquista na pluralidade e no talento, não importa de onde ele venha. E vejam como as coisas se encaixam.
O palmeirense valoriza o mérito, e é só por isso que tivemos um time que é amigo íntimo do mérito: a Academia. O palmeirense valoriza o espetáculo, não aceita menos do que a excelência. É por isso que criou um tipo de torcedor exigente por natureza: o corneteiro. O Palmeiras que todos nós ansiamos ver de volta é o Palmeiras do mérito e da excelência. É uma verdade cristalina. O Palmeiras não funciona quando essas qualidades não estão muito claras – e é por isso que o Palmeiras só vence quando coloca o mérito como fundamento, como na época da Parmalat. O Palmeiras só vence quando é palmeirense. Por isso que a manifestação de prováveis integrantes da Mancha (ainda que não representem a organizada) é absurda, mas diz muito sobre o momento do clube.
Hoje, no Palmeiras, as mesquinharias estão acima do mérito. O preconceito, os ódios, os sentimentos minúsculos se instalaram no clube. A essência está lá, mas soterrada por caixas de quinquilharias de um armazém de ressentimentos. O resultado é que o Palmeiras é administrado por pessoas que se dizem palmeirenses, mas são, no fundo, antipalmeirenses. Elas deixaram a essência do clube de lado para se apegar às suas miudezas, às revanches, às vinganças caducas. Neste cenário, a manifestação homofóbica é tosca, mas faz todo o sentido.
Ainda que não tenha sido levada adiante pela Mancha, a manifestação reafirma a sensação de que a torcida organizada compartilha com os dirigentes que critica em manifestações e muros pintados uma aversão pelo mérito. É significativo que a maior torcida organizada do clube (ou alguns de seus integrantes) tenha hostilizado alguns dos nossos melhores jogadores nos últimos anos, colocando o mérito no final da fila e elegendo dedicação, vontade e, agora, homofobia como valores palmeirenses – não são. A faixa exibida no protesto do último dia 04 provém do mesmo universo mental das pessoas que acham que mais importante do que o Palmeiras são as suas pequenas vinganças, são as suas pequenas questões pessoais. A história do Palmeiras é marcada pela grandeza de caráter e pela segurança nas suas decisões. Um palmeirense não se importa com gozações – o palmeirense quer transformar “a lealdade em padrão”. Se o jogador estiver à altura do Palmeiras, um palmeirense de verdade vai bater palmas para ele independentemente da pessoa com quem ele dormir, da cor da sua pele, da sua religião, da língua que falar.
Por isso, repudiar a homofobia é ser palmeirense. Porque houve craques gays, há craques gays e haverá craques gays. E esses jogadores têm de saber que o Palmeiras estará de braços abertos para recebê-los pelo futebol que eles jogam e não vai dar a mínima para a pessoa que eles amam. Repudiar a homofobia é um dos inúmeros passos para que o Palmeiras volte a fazer jus ao que ele é.

Por que a dura de Gabriela Moreira no torcedor do Palmeiras é importante


[Originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/por-que-dura-de-gabriela-moreira-no-torcedor-palmeiras-e-importante/]
Por: Ubiratan Leal


26 de março de 2015 às 9:10






Gabriela Moreira é uma das melhores repórteres esportivas da TV brasileira. E não é uma das melhores repórteres mulheres, é uma das melhores repórteres no geral. Quando fazia parte da equipe carioca da ESPN Brasil, revelou várias irregularidades na organização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Ela já merecia reconhecimento do público por isso, mas muita gente só prestou atenção a seu trabalho nesta quarta, por causa da bronca que ela deu em um torcedor do Palmeiras antes do clássico contra o São Paulo, no Allianz Parque. Se você não assistiu à cena, clique no link e veja.





Agora temos mais um bom motivo para reconhecer o seu trabalho. A atitude da repórter foi importante, ainda mais em uma sociedade que tem dificuldade em entender os efeitos de pequenas ações na criação de um ambiente de homofobia muito mais amplo e perigoso. Muita gente não entende qual o problema da “brincadeira” do torcedor palmeirense e talvez esteja praguejando contra a jornalista por moralismo exagerado.


Minutos depois, dentro do Allianz Parque, a torcida verde usou o mesmo adjetivo do entrevistado do vídeo acima sempre que Rogério Ceni ia chutar a bola. Uma atitude que se tornou comum em estádios brasileiros (e que já fez o STJD ameaçar o Corinthians de punição). Uma atitude que pode ter tirado um pouco da alegria de todos os palmeirenses gays que têm motivos para se sentir atingidos e deixaram de ter a felicidade completa de uma vitória contundente contra um grande rival.


Como a Trivela bate nessa tecla há um bom tempo, vamos relembrar um texto nosso, publicado em 13 de março do ano passado, explicando por que a sociedade precisa tomar cuidado com essa homofobia que parece inocente, mas não é.

Por que “bicha” é xingamento?





Manifestação dos torcedores do St. Pauli contra homofobia


por Leandro Beguoci


Os torcedores do Corinthians que chamaram Rogério Ceni de bicha, sistematicamente, provavelmente não sabem. Mas o ato foi tão ruim para eles quanto para o rival são-paulino.


Houve uma época em que os jogadores do Ajax eram recebidos pelos rivais ao som de vazamentos de gás. Os rivais do time de Amsterdã imitavam o som com a boca e tentavam transformar o estádio numa gigantesca câmara de extermínio, de mentirinha. A razão era simples e horrível. Ao longo dos anos, os judeus holandeses se identificaram com a equipe. Até hoje, alguns dos seus torcedores mais ardorosos, mesmo quando não têm nenhuma relação com o judaísmo, se identificam como “Os Judeus”. Grosso modo, é um equivalente aos fiéis corintianos. Mesmo um torcedor ateu ou agnóstico do time do Parque São Jorge se identifica como fiel – inclusive o que só acredita em Deus ou em alguma energia durante pouquíssimos segundos de uma final de campeonato.


LEIA MAIS:

– Jogador assume ser gay e diz que é impossível continuar no futebol- Alemanha e o pioneirismo na luta contra a homofobia- Apoio do Everton reforça luta contra a homofobia- Até o dia em que seremos todos bichas- A zoeira, meus caros, ela tem limites. Ainda bem


Os rivais do Ajax imitavam o som de gás porque, como quase todo mundo sabe, aproximadamente 6 milhões de judeus foram exterminados na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos deles foram envenenados e morreram em câmaras de gás. A Holanda foi um dos países mais afetados pelo extermínio. Antes da invasão alemã e do colaboracionismo de autoridades do país, cerca de 155 mil judeus viviam por lá. Depois da guerra, só restavam 14,3 mil. Muitos foram mortos em Amsterdam. Outros tiveram de enfrentar longas jornadas de trem até os campos de concentração. Uma dessas pessoas foi a menina Anne Frank, cujo diário se tornou um dos testemunhos mais fortes e dolorosos de um período medonho da história. Embora ela fosse alemã, a família vivia na Holanda.





Apesar dessa história horrível, ainda hoje alguns rivais do Ajax cantam “Lá vai o trem do Ajax para Auschwitz”, em referência a um dos maiores campos de extermínio da história. E isso acontece mesmo na Holanda, um país liberal e tolerante. Isso mostra que algumas questões continuam mal resolvidas. O antissemitismo, afinal, continua existindo, embora mais tímido.


E isso, claro, não acontece só na Holanda. Porque isso é um padrão: transformar uma das características de uma pessoa em uma ofensa contra essa mesma pessoa. O xingamento , frequentemente repetido, coloca o ofendido em uma posição inferior no mundo. De tanto ouvir frases sobre como os judeus são ruins, algumas pessoas se sentem confortáveis em repetir o som que matou milhões de pessoas para os descendentes dessas mesmas pessoas. O adversário vira inimigo. Ele perde uma porção da humanidade simplesmente porque é diferente de mim. E, ao perder uma parte da humanidade, ele me autoriza a fazer o que eu quiser com ele.


Ou, de uma forma muito esquemática: essa pessoa é judia e torcedora do Ajax. Eu não sou judeu e sou rival do Ajax. Portanto, não ser judeu e não torcer para o Ajax me colocam numa posição melhor, superior. Eu posso subjugá-la, mesmo que seja com palavras. A rivalidade me autoriza a humilhá-la, a fazê-la sofrer. Eu sei que não é tão direto assim. A vida é mais sutil. Talvez quem xingue nem pense nessas coisas, mas o efeito final é o mesmo. Um xingamento é uma humilhação porque o xingamento cria uma escala de diferença. O ofendido se torna inferior ao ofensor. Faça um exercício simples: pense no quanto você se sentiu humilhado quando foi ofendido na escola porque era gordo, porque era magro, porque tinha dente torto. Pense no que você sentiu. Pense em como você se sentiu à parte do restante dos seus colegas. E pense que, de repente, 20, 30 mil pessoas começam a cantar em todos os jogos “gordo nojento, gordo suado, gordo escroto” para ofender um rival do time adversário.


Era preciso fazer essa introdução para falar sobre racismo e homofobia nos estádios do Brasil e da América Latina. Em cada país, a intolerância e o ódio se manifestam de alguma forma. Não nascem do nada. Têm causas, têm raízes que às vezes nem nos damos conta, e acabam ganhando expressão no futebol. O professor Hilário Franco Júnior, no fantástico livro “A Dança dos Deuses”, explicou muito melhor do que eu como a violência, física e verbal nos estádios, mudou ao longo dos anos, seguindo algo nefasto que acontecia do lado de fora dos gramados. Ele também mostra que as coisas mudam, e continuam mudando. Só que, hoje, nós gostamos de dizer que chamar um jogador de bicha sempre foi assim, sempre será assim e nunca mudará. Mas é preciso pensar. Por que bicha é xingamento? Por que algumas pessoas insistem em comparar negros a macacos? O que transformar isso em ofensa diz sobre nós mesmos?


O grito de “bicha, bicha, bicha”, contra o principal jogador da equipe rival, contra o atleta mais controverso do seu adversário, em um estádio lotado, só esquenta ainda mais esse caldo de ódio – mas tão confortável para gente violenta e mesquinha


A comparação entre negros e macacos é mais simples, sem sutilezas. A gente pode não se dar conta disso, mas estamos falando que a outra pessoa é um bicho. Um animal. Pode parecer gozação de bar, pode parecer inofensivo, mas foi exatamente isso, historicamente, que justificou a escravidão e a morte de milhões de pessoas. Afinal, como você escraviza alguém? Rebaixando essa pessoa à condição de coisa, de besta. Nos EUA e no Brasil, isso foi claro. Negro igual a bicho e bicho igual a uma propriedade que eu posso dispor como eu quiser. Mas também aconteceu na África e no Oriente Médio. Para justificar a escravidão de pessoas que viviam no mesmo lugar, às vezes da mesma cor, era preciso transformar essas pessoas em rivais de ódio, em rivais torpes, e puni-los com a perda eterna de liberdade. É preciso tirar dessa pessoa aquilo que a faz igual a mim.


Ao longo dos anos, felizmente, estamos aprendendo que negro não é coisa, não é bicho e tem os mesmos direitos que qualquer outra pessoa. O Brasil até conseguiu dar grandes passos, diminuindo drasticamente o ódio, mas ainda não conseguiu dar igualdade de oportunidades às pessoas. Alguns estudos recentes mostram que descendentes de escravos, sem políticas públicas claras, podem levar décadas para chegar ao que hoje chamamos de classe média alta. Afinal, seus pais, avós e bisavós partiram de menos do que nada. Enquanto não alcançarmos essa igualdade de condições, talvez a gente ainda conviva com casos de racismo abjetos. Porque os negros, enquanto estiverem nos trabalhos mais mal pagos, vão continuar sendo vistos como preguiçosos, indolentes, que não se esforçam suficientemente. Como pessoas, no final das contas, piores do que aquelas pessoas que nós achamos que somos: trabalhadores, esforçados, dedicados. Mas nós partimos de outro lugar. E, infelizmente, a cor da pele foi critério durante muito tempo para contratar alguém ou para promover alguém em uma empresa. A gente gostaria que fosse diferente? Claro que sim. Mas as coisas são como são. Ao tratar o racismo como caso menor, nós compactuamos com uma longa história de sofrimento e humilhação.





E então chegamos à homofobia nos estádios. Eu sei que muitas pessoas que brincam com os colegas de arquibancada, chamando uns aos outros de bichas, bichinhas, e aí, seu veado, não vão bater em homossexuais nas ruas. Muitas delas têm parentes gays, amigos gays. E eu sei que justamente por isso muitas ficam ofendidas com a patrulha ostensiva. Por isso é preciso colocar as coisas em perspectiva. Muitas pessoas estão fazendo as coisas sem pensar.


Muitos de nós estamos acostumados a usar homossexualidade como xingamento, por muitas e muitas razões históricas que não caberiam neste texto. Enfim. Isso é tão natural, tão rotineiro, que nem nos damos conta de que estamos repetindo, como se fosse banal, o mesmo esquema que autoriza holandeses antissemitas a imitar uma câmara de gás ou racistas a insistir em bestializar os negros. Estamos transformando uma característica de uma pessoa em ofensa. Estamos dizendo que ser gay é uma coisa tão ruim que chega a ofender e machucar mesmo quem não é gay. Mas, sinceramente: qual é o problema em ser gay?


Nós não sabemos ao certo por que algumas pessoas são gays. Também não sabemos por que algumas pessoas são negras. Ou por que algumas pessoas são canhotas. Nós não sabemos um monte de coisas, mas aprendemos a odiar algumas delas s sabe-se lá por qual razão. Canhotos, por exemplo, foram estigmatizados durante décadas e apanhavam até aprender a escrever com a mão direita. Ser canhoto, na lenda popular, significava ser influenciado pelo demônio. E isso atingia ricos e pobres. O rei George VI, da Inglaterra, é um dos canhotos que apanharam e sofreram até que aprendessem a escrever apenas com a mão direita. O ódio surge por razões difíceis de explicar.


Só que as pessoas são o que são. Desde que isso não mate outra pessoa, não viole aquilo que se costumou chamar de direitos fundamentais, não há nada que possamos fazer. Ser gay, ser negro ou ser canhoto são fatos da vida. São características que não violam o direito de outras pessoas. Um assassino pode te tirar a vida. O que um gay tira de você? Nada. A pessoa é o que é e ninguém tem nada a ver com o que ela faz ou deixa de fazer.


Ao usar gay como xingamento em um estádio, nós estamos fazendo aquilo que não gostamos que seja feito conosco. Estamos dizendo, mesmo sem perceber, sem nos darmos conta, que as pessoas gays são inferiores. Não gostamos de ser patrulhados, intimidados ou ofendidos. Mas estamos patrulhando, intimidando e ofendendo pessoas iguais a nós ao transformar homossexualidade em xingamento. Isso não faz parte da graça do futebol. Isso só mostra sobre o quanto não pensamos nas consequências das nossas palavras e das nossas ações. Nós agimos sem refletir e nos comportamos como uma manada descontrolada, que não pensa nas consequências das suas ações.


Portanto, quando uma torcida imensamente popular, como a do Corinthians, repete como um mantra “bicha, bicha, bicha” em um estádio, ela está reforçando a ideia de que ser gay é ruim. Uma torcida que luta contra preconceitos, que passou anos tendo de escutar “silêncio na favela”, está reproduzindo em outra torcida a violência que costumava sofrer. E isso não é engraçado. Isso não é parte do esporte. E, um dia, pode se voltar contra os próprios corintianos. Contra qualquer pessoa, na verdade.


Estamos transformando uma característica de uma pessoa em ofensa. Estamos dizendo que ser gay é uma coisa tão ruim que chega a ofender e machucar mesmo quem não é gay. Mas, sinceramente: qual é o problema em ser gay?


Não é de hoje que a torcida do Corinthians diz “vai pra cima delas, Timão”. Isso já era ofensivo, mas diluído num “delas” maroto. Mas, ao chamar o goleiro rival de bicha, sistematicamente, usando a palavra que muitos intolerantes usam contra as suas vítimas, a torcida do Corinthians, mesmo sem se dar conta disso, está dizendo que gays são inimigos, são adversários. Os torcedores do Corinthians que fizeram isso talvez não saibam, mas estão dando combustível para intolerantes e malucos de toda espécie. Afinal, essas pessoas não precisam de muita coisa para fazer barbaridades. Elas só precisam ter certeza de que isso não é recriminado ou não terá consequências. Até na civilizada Suécia acontece. Um torcedor do Malmö, militante contra a homofobia nos estádios, foi morto por defender direitos iguais para heterossexuais e homossexuais. Já no Brasil, infelizmente, há muitos e muitos casos de violências contra gays. As pessoas apanham nas ruas e são surradas com lâmpadas, como os jornais vêm reportando faz algum tempo.


Portanto, o grito de “bicha, bicha, bicha”, contra o principal jogador da equipe rival, contra o atleta mais controverso do seu adversário, em um estádio lotado, só esquenta ainda mais esse caldo de ódio – mas tão confortável para gente violenta e mesquinha.


A única maneira de mudar essa situação é parar de dizer que gays são piores do que heterossexuais. Não há solução intermediária. É parar de repetir que ser gay é ser ruim. Foi assim que diminuíram os espancamentos e linchamentos de negros. Primeiro, a sociedade conteve as ofensas. Depois, passou a dizer: pare de ofender porque as suas ofensas têm consequências. Nos casos mais graves, passou a criminalizar as ofensas. Foi assim que a Europa conteve o antissemitismo, com leis e medidas contra a intolerância. Mas até a Europa está profundamente atrasada no combate ao racismo e à homofobia, como mostra a faixa bizarra que a torcida do Bayern de Munique estendeu na Alemanha.


Mas leis, a gente sabe, não bastam por si. É preciso que as nossas atitudes mudem, especialmente nos lugares em que essas atitudes podem fazer alguma diferença. Landon Donovan, capitão do Los Angeles Galaxy e principal ídolo do futebol nos EUA, deu um exemplo fantástico e acolheu Robbie Rogers, gay e seu colega de equipe. O futebol é importante demais para a nossa vida, no Brasil. Ele não pode ser tratado como uma parte distante, separada da sociedade. O futebol é encantador porque ele resume, em 90 minutos, as tensões e alegrias de uma vida inteira. O futebol é um amplificador daquilo que acontece nos lugares mais profundos da sociedade e o estádio, uma amostra do que aceitamos e recriminamos. Mas o futebol não precisa ser só uma caixa que reproduz o que acontece fora dele. O futebol pode ser uma ferramenta para a mudança.





Durante muito tempo, ser italiano significava ser sujo. Ser nordestino, vagabundo. Argentino, objeto de botinadas. Porém, os estádios colocaram, lado a lado, agressores e agredidos. Os agressores passaram a ter de aplaudir os agredidos, como aconteceu com os jogadores nordestinos. A aversão de brasileiros a argentinos começou a diminuir quando os gringos começaram a jogar aqui e a mostrar paixão pelos times que amamos. Não é o bastante, longe disso, mas os campos deram passos importantes nas últimas décadas. Os torcedores provaram que não eram reféns do ódio de alguns retranqueiros sociais. Na Alemanha, a torcida do St. Pauli deu um exemplo fantástico em abril de 2013. Levou para as arquibancadas a faixa “Futebol é tudo, até gay”. O St. Pauli foi o primeiro clube que se notícia a ter um presidente que saiu do armário, Cornelius Littmann.


Porém, ainda falta muito para que o futebol se torne, como ele gostaria de ser, um ambiente em que qualquer um pode ser o que quiser. Afinal, uma das coisas que distinguem o futebol de outros esportes é que um Baixinho pode ser um dos maiores artilheiros da história do Brasil e um gordinho, o destaque do último Campeonato Brasileiro. Falta um passo, um passo decisivo. Falta eliminar completamente a violência contra gays e negros. Afinal, quando eles falam, não é para pedir privilégios. Eles querem ser tratados exatamente igual a você. Quando um gay se manifesta, ele ou ela não está pedindo mais direitos. Está pedindo os mesmos direitos que você tem: andar tranquilamente pelas ruas sem correr o risco de apanhar porque está de mãos dadas com a pessoa que ama. Um negro não está pedindo privilégios. Ele quer apenas o direito de não ser julgado pela cor da pele. Ou, no Brasil do começo do século 20, não ser obrigado a passar pó de arroz no rosto para ser aceito como branco.


Combater o preconceito, no final das contas, é uma maneira de contribuir para que o futebol e a sociedade melhorem. Preconceito, afinal, é uma porta escancarada para a violência. Hoje, é contra gays. Amanhã pode ser contra qualquer outra pessoa, por qualquer outra característica. Os judeus, por exemplo, eram muito bem integrados à Alemanha antes do nazismo. A França, embora com um longo passado antissemita, teve um primeiro-ministro judeu antes de colaborar com Hitler na Segunda Guerra. As coisas mudam para pior, infelizmente. Claro, é muito difícil acabar completamente contra o preconceito, é claro. Mas é possível estar atento quando ele aparece e agir a tempo para estancá-lo. É o mesmo movimento do grande craque que sabe se antecipar ao movimento do marcador, driblar o oponente e marcar um baita de um golaço.


Nós, torcedores, somos melhores do que o preconceito. Os retranqueiros sociais não podem vencer esse jogo.

Um bicha e milhares de idiotas

Fernando Dantas/Gazeta Press
Fernando Dantas/Gazeta Press
Não faltam motivos pra zoar Ceni; poderiam escolher um menos idiota
ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ… BICHA!
Desta vez aconteceu na nossa casa. Aconteceu no dia que foi o mais feliz do ano – e, se não estragou a esperada felicidade de ganhar um clássico com autoridade, deixou aquela mancha, igual ao tio inconveniente que bebe umas a mais e resolve “dizer umas verdades” no meio da festa de Natal. Foi deselegante. Foi desnecessário. Foi idiota. Cada tiro de meta para o SPFC me dava uma sensação horrível de vergonha, que eu não experimentei nem nos rebaixamentos, nem após a re-re-re-reeleição do Mustafá, nem ao ver Ivo e Pedro Carmona com a camisa 10.
Porque é idiota julgar alguém por sua identidade sexual. É idiota achar que essa identidade, ou qualquer outra, que diz respeito somente ao próprio indivíduo, é razão de insulto, motivo para deixar alguém ofendido. É idiota achar que um estádio é uma realidade à parte da sociedade, onde “é permitido” fazer um monte de coisas inaceitáveis socialmente em nome de uma vitória. É idiota dizer “não sou homofóbico” e mesmo assim ter entrado no coro. Como se tudo isso não fosse o suficiente, é idiota copiar um grito idiota da torcida de nosso maior rival, que inclusive o adaptou da torcida do Juventus (eles gritam “Filho da puta”), que por sua vez foi buscá-lo no México.
Nada contra ofender o Ceni (aliás, #ficaCeni). Só que tem uns 200 jeitos melhores de fazer isso – “Ceni c… reserva do Marcão” e “Frangueiro” são só as mais óbvias. (E convenhamos que um sujeito de 42 anos deve estar pouco se lixando pro que se fala nas arquibancadas, mas enfim.) Dizer “ele não é gay, não se ofendeu” é ainda pior, porque o problema desse grito não diz respeito ao alvo.
Como escrevi um ano atrás no Impedimento, quando os rivais fizeram a mesma coisa com o mesmo Ceni num jogo no Pacaembu, o problema é: milhares de pessoas, numa noite de quarta-feira, não se importaram em dizer ao Brasil todo, via satélite, que consideram que a identidade sexual de alguém serve para xingar, ofender e desestabilizar outra pessoa em seu ambiente de trabalho. Como se o Brasil já não permitisse a união civil homossexual, e que esses casais adotem filhos, como se a parada GLBT não fosse um dos maiores programas turísticos de São Paulo, como se vivêssemos na Idade Média. Como se maus costumes não pudessem ser modificados.
“Ah, não foi a torcida inteira”, acredito mesmo que não, inclusive tenho amigos que estavam no Allianz Parque e certamente não fizeram isso. Mas foram em número suficiente para que ficasse bem audível na transmissão da TV – e, por favor, sem teoria da conspiração de que “A Globo fez de propósito”, ao contrário, a Globo fez o possível pra ignorar e jogar o caso pra baixo do tapete, exatamente como nos jogos do SCCP.
“Você está me chamando de idiota? Não sou homofóbico, só entrei na onda”, ok, você não é idiota então, mas agiu como um ao emular um comportamento de turba. Se todo mundo estivesse arrancando a roupa na arquibancada, você arrancaria também? Jogaria pedras no Muricy?
“É só brincadeira, sempre foi assim, você nunca chamou são-paulino de bambi?” Sim, já chamei, não chamo mais. Mudar de comportamento é sinal de maturidade, o que “sempre foi assim” pode e deve mudar. Principalmente quando é uma “brincadeira” que mata pessoas. Homofobia mata. Não é questão de ser politicamente correto, é questão de ser uma pessoa correta.
Isso para não falar no ethos que deveria impregnar a nossa sociedade esportiva. O Palmeiras já foi o clube da inclusão, criado pelos italianos e que acolheu na sua arquibancada todo tipo de migrante quando São Paulo começou a se encher de sotaques e dialetos e gente de todas as cores, origens, saldos bancários e, também, identidades sexuais – ou vocês acham que ali no estádio é todo mundo hetero? Cem anos depois, não faz sentido o Palmeiras ser o clube da torcida que segrega e discrimina por causa de com quem a pessoa pretende dividir sua vida.
Estamos em 2015. Ficar com a mentalidade de décadas atrás só porque “sempre foi assim” não vai levar a nada. Só vai fazer a gente continuar a agir como idiotas.
(Em tempo: a demora na publicação dest post foi intencional. Ao mesmo tempo que, por ter criticado a torcida do pessoal de Itaquera naquela ocasião, me sentia na obrigação moral de comentar o assunto, ainda mais depois do vídeo da Gabi Moreira ter bombado nas redes sociais, não queria ser acusado de ganhar audiência gratuita no embalo do jogo e da confusão. Então, fica aqui, com 48 horas de análise e reflexão, e de longa discussão inclusive entre blogueiros do ESPN FC, a minha posição. Espero que dê para debater com inteligência.)

Manifesto

O Palmeiras é grande: tão grande quanto quisermos. O Palmeiras é de todos que vestem essa camisa, carregam essa marca, cantam o hino ou sentem a emoção que não sabemos nem precisamos descrever.
O Palestra nasceu para ser grande, para ser imenso, para vencer preconceitos e unir os “italianinhos”, os “carcamanos”, os “porcos” em um estado tão receptivo quanto arrogante. O Palestra fez mais que isso: morreu líder e renasceu um Palmeiras campeão, abraçando não só os operários pobres daquela São Paulo no início do século XX, mas outros que se uniram a eles para, com muito empenho, fazer parte de uma história de superação e combate a injustiças.
O Palmeiras ensinou: para crescer, não é preciso diminuir ninguém. É na busca da igualdade que se destacou esportivamente tornando-se o Campeão do Século.
O Palmeiras é maior que a vista alcança. Somos todos nós: homens e mulheres, de pele clara ou escura, de São Paulo ou de outros lugares, do outro lado do mundo, de baixo de um viaduto, do meio do mato, da beira de um rio. Não importa o deus, orixá ou entidade: somos os milagres de Marcos e a profanidade de Edmundo e Evair; somos Ademir, o homem dentro do pesadelo. Não importam as roupas, nossos nomes ou quem calhamos de amar, somos a torcida que canta e vibra.
Enquanto formos Palmeiras, enquanto formos Palestra, temos um compromisso com a igualdade e com o combate ao ódio.
Mulheres, índios, pretos, filhos de santo, travestis, crentes, cristãos, pobres, nonnos, lésbicas, homens, crianças, ostentemos nossa fibra.
O PALMEIRAS SOMOS NÓS, JUNTOS.